Melhor é construir do que reformar. Deus sempre é rico em perdoar, mas o pecado deixa marcas que nem sempre podem ser apagadas. Em Pv 22.6 , somos orientados a começar cedo a instruir os pequenos no caminho em que devem andar, para que, mesmo no fim da vida, eles ainda andem por ele. Não podemos subestimar a capacidade de seus coraçõezinhos de acolherem a palavra de Deus, para que possamos vê-los crescer como Jesus: não somente em estatura, mas em graça, diante de Deus e dos homens. As crianças são tão pecadoras quanto os adultos, compartilham da mesma natureza caída de Adão (Rm 3.23). Sejamos ternos, mas verdadeiros. Não as encorajemos com a imaginação de sua inocência, falemos sobre o mal do pecado e sobre a cura que Deus providenciou para todos.
O primeiro objetivo a ser alcançado não é a mudança de hábitos, isso é consequência de se entrar em contato com o evangelho. Não trabalhe de fora para dentro, mas sim de dentro para fora. O que deve ser buscado, em primeiro lugar, é a salvação da alma (Mc 16.15). Para isso, decorar algumas partes da palavra sem entender seu conteúdo pode não ser suficiente, é preciso entender a sua relevância para a vida e a sua aplicação.
Outro objetivo é o de levar os pequenos a desenvolverem um relacionamento com as sagradas escrituras. A Bíblia não é um livro qualquer, e não deve ser tratado como tal. Ela “é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a educação na justiça” (2Tm 3.16). O hábito de ler as escrituras deve ser enfatizado, pois ela pode tornar-nos sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus (2Tm 3.15).
Para atingirmos nossos objetivos de forma mais eficaz, é bom conhecermos nosso público alvo. Cada fase da infância tem sua peculiaridade no desenvolvimento, e isso deve ser respeitado.
A partir dos três anos, a palavra começa a ser instrumento do pensamento, a criança deixa a fase de bebê e começa a se tornar mais independente. Ao redor do quarto ano de vida, começa a fazer muitas perguntas. Aos cinco anos, já tem um domínio motor bem amadurecido, começa a preferir brincadeiras coletivas. Com seis anos, já está em fase escolar; o grupo começa a influenciar na formação do seu auto-conceito. A criança pequena associa o que é errado ao que causa desprazer, e o que é certo ao que é prazeroso. É inovadora e criativa, mas egocêntrica. A combinação entre o medo de punição e o prazer leva a criança a fazer o que está com vontade ou o que é obrigada. Por isso, é válido despertar o seu interesse pela Bíblia com atividades prazerosas. É uma fase propícia para apresentarmos a Deus com o conceito de paternidade (amor, cuidado e proteção) de acordo com a vivência da criança nessa fase; utilizar-se de um conceito “velho” (familiar) para introduzir o novo. A criança compreenderá melhor o que você está ensinando se você fizer comparações e aplicações práticas no seu contexto infantil. Lembre-se, a Palavra de Deus deve fazer sentido para os pequenos e, para isso, é preciso aproximá-la da sua realidade. |